O luxo de Versailles

132Qualquer turista sentirá uma agitação diferente no dia em que visitar Versailles. Há um magnetismo único no mais famoso château (castelo) da França, em uma proporção semelhante ao seu tamanho. Em qualquer guia ou site está escrito para você não deixar de visitar o Château. O local foi construído como um “mundo paralelo” luxuoso para a corte francesa, que ignorava a situação deplorável da população. Algo ainda familiar atualmente.

Portão de Versailles

Portão de Versailles

Como chegar a Versailles? Fácil! O trem que leva até o château não faz parte da rede de metrôs de Paris, ou seja, você precisa comprar um novo bilhete (igual ao do metrô). Opções de transporte: 1) nas estações de metrô de Paris onde passa o REC C (que leva ao castelo), você deve descer na estação Versailles Rive Gauche, a mais próxima do castelo; 2) da estação de trem Gare Montparnasse em Paris, você deve descer na estação Versailles Chantiers; 3) da estação Sant-Lazare em Paris, você deve descer na estação Versailles Rive Droite.

Versailles é o maior símbolo de ostentação e ícone do poder absoluto da monarquia francesa, sendo o centro do poder do rei Luis XIV, o Rei Sol. Construído no local de um pavilhão de caça de Luís XIII, o palácio realizou o desejo do rei de deixar toda a corte ao seu redor. Em 1661, Luís XIV iniciou os primeiros passos para a realização do complexo. Confiou os trabalhos a Charles Le Brun e Louis Le Vau. Para realização dos jardins e parque, foi escolhido o paisagista André Le Nôtre, responsável pelo projeto dos Jardins des Tuileries. Após a morte de Louis Le Vau, Jules Hardouin-Mansart assumiu o posto e deu continuidade aos trabalhos, alterando completamente as dimensões do palácio.

O Château de Versailles

O Château de Versailles

Com a morte de Luís XIV, a corte se estabeleceu em Vincennes e depois, Paris. Em 1722, Luís XV solicitou o retorno para Versailles. Com a Revolução Francesa, o palácio perdeu seus móveis, mas a construção permaneceu intacta. Após a morte de Luís XVI e Maria Antonieta na guilhotina, o complexo passou por períodos de incertezas quanto ao seu destino. Luís Filipe transformou o local em um museu dedicado à França, não concluído em sua totalidade devido à queda da monarquia em 1848. Após ser palco de vários acontecimentos históricos, atualmente Versailles, com seus 830 hectares, 2.143 janelas, 50 fontes e 20 km é uma das principais atrações francesas.

Ao entrar, um choque visual: a magnitude do palácio não se observa apenas nas dimensões do exterior. O luxo do interior é algo inacreditável, com um trabalho exagerado na decoração e em detalhes que deixariam qualquer escola de samba com inveja. “Tudo em excesso faz mal”, uma das frases que repeti mentalmente durante meu passeio pelos corredores e salas, juntamente com um mantra de uma amiga: “Luxo, riqueza, glória e poder. Ostentação e grandiosidade para todo o sempre”. O quarto do Rei Sol é todo em tons de dourado. Imaginei que, ao se abrir a janela, deveria ser impossível permanecer no local, pois os raios de sol, refletidos em todos os detalhes em ouro, deixariam qualquer um cego.

Jardins de Versailles

Jardins de Versailles

Mesmo com todo esse glamour, depois de ler e pesquisar sobre a vida na corte, devo admitir que deveria ser um tédio total. É completamente compreensível o descaso e a falta de ânimo da rainha retratada no filme “Maria Antonieta”, de Sofia Coppola. Passear pelos grandes corredores, somente cumprimentando as pessoas com uma feição blasé, não é um passatempo dos mais emocionantes.

Márcio Carvalho Jardim

Autor: Márcio Carvalho Jardim

É escritor e administra os blogs "Tô indo para a Itália" e "Tô indo para a França". É autor do livro/guia "Tô indo para a Itália" e o seu próximo, sobre sua viagem para a França, está previsto para lançamento em agosto/2014.

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