As ilhas de Paris
ago07

As ilhas de Paris

As ilhas de Paris Na extensão do rio Sena há duas ilhas. Uma delas, em forma de barco, foi o local onde Paris nasceu. No século III a. C., os parisi, uma tribo celta, se fixou na ilha. Ao longo dos anos, defenderam o seu habitat até a chegada dos romanos, que transformaram o local em uma típica cidade romana, expandindo-a para as margens do rio. Em seguida, os francos dominaram o local, tornando-o um grande pólo comercial, sendo muito cobiçada por outros reinos. Assim, surgia uma das maiores cidades da Europa Ocidental. Mas não se engane! Mesmo analisando mapas, publicações, fotos, livros e guias sobre as ilhas, minha idealização das proporções eram muito distantes da realidade. Pequenas e compactas, as Îlle de La Cité e a Îlle de Saint Louise podem ser facilmente conhecidas em minutos. Enquanto a La Cité abriga relíquias como a Saint Chapelle e a Catedral de Notre Dame, a de Saint Louis é residencial, com bela arquitetura e um estranho silêncio. A Saint Chapelle é um ponto turístico que não pode faltar em seu roteiro. Uma magnífica obra-prima do estilo gótico, foi projetada em 1241 e as obras iniciaram em 1246. Concluída rapidamente, foi construída pelo rei Luís IX para servir de capela do palácio real. Nessa época, o culto às relíquias de Cristo era muito popular e os reis tornaram-se grandes colecionadores desses objetos. Para santificação da igreja, o rei comprou do rei bizantino Balduíno II a suposta coroa de espinhos de Cristo. Informações afirmam que o objeto custou um valor maior que o utilizado na construção da igreja. Composta por dois andares, as verdadeiras relíquias do local são os belíssimos vitrais, com 1113 cenas que contam a história da humanidade através da Bíblia. O outro símbolo da ilha não preciso dizer para estar em seu roteiro porque, provavelmente, já estará. A Catedral de Notre Dame de Paris é uma das mais antigas catedrais góticas da França e é o ponto central de Paris. A área já foi ocupada por outras construções religiosas. Em 1160, o bispo Maurice de Sully, focado em transformar a cidade em um grande pólo religioso, decidiu construir uma igreja digna da cidade. Três anos depois é iniciada a construção da catedral, levando quase dois séculos para ser finalizada. Após se deslumbrar com os dois monumentos, atravesse a Pont St-Louis, que faz a conexão com as duas ilhas. Imediatamente percebe-se a diferença: não há carros pelas ruas e pouquíssimas pessoas caminham por elas. Segui pela rua central da ilha, a Rue St-Louis em I’îlle. Para acompanhar o passeio, um sorvete é uma excelente opção. É na rua citada que...

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O monte dos mártires!
ago01

O monte dos mártires!

Uma das características principais do cinema é transportar as pessoas, dependendo da imaginação de cada um, para qualquer lugar do mundo. E, após viajar para vários países, e se deparar com uma belíssima cena de um filme que usa, como cenário, um lugar que você já visitou é, com toda certeza, uma perspectiva completamente diferente e prazerosa. “O fabuloso destino de Amelie Poulain” (Le Fabuleux destin d’Amélie Poulain, de Jean Pierre Jeunet – 2001) é um dos meus filmes favoritos e grande parte da história se passa no estonteante bairro de Montmartre, em Paris. Montmartre, segundo a lenda, significa “monte dos mártires” e está localizado ao norte de Paris, a 130 metros do nível do mar. É o local do martírio de Saint Dennis, o primeiro bispo de Paris, e de seus companheiros. O bairro, famoso pela sua vida noturna, atraiu inúmeros artistas consagrados, como Degas, Cézanne, Van Gogh, Renoir, Monet e Toulouse-Lautrec. Um pouco afastado do centro da cidade, para chegar ao bairro são necessárias algumas conexões de metrô, dependendo da sua localização. A estação de destino mais utilizada é a Pigalle. Ao sair do metrô, uma observação rápida – e chocante – para os mais conservadores: vários sex-shops, casas de massagem, lâmpadas coloridas, locadoras de “filmes para adultos”, para todos os gostos, compõem a rua. Com essa atmosfera, nada melhor do que iniciar o roteiro visitando o Musée de l’Érotisme (Museu do Erotismo), onde a história da sexualidade humana é apresentada – de uma forma, desculpe o trocadilho, bem explícita – através de centenas de estátuas, objetos, pinturas e acessórios sexuais, desde a pré-história até a era moderna. Alguns passos depois, está um dos maiores símbolos do bairro: o Moulin Rouge. Fundado em 1889, o cabaré segue ainda como um ícone da noite parisiense, famoso pelo lendário moinho vermelho instalado no terraço e dos extravagantes espetáculos de cancã. Se o seu “impulso turístico obrigatório” aflorar e o desejo de assistir a um show for incontrolável, compre o ingresso antecipadamente pelo site www.moulinrouge.fr. Ao subir a Rue Lepic, é impossível passar pelo Café des 2 Moulins e não notá-lo. A cor vemelho-sangue dos toldos e a fila de turistas não deixam dúvidas. Ao entrar no local de trabalho da personagem Amélie, uma decepção: a tabacaria onde a personagem Georgette ficava atendendo os clientes não existe mais. Em compensação, a atmosfera é a do filme, que aumenta com uma grande foto do rosto de Amélie em uma moldura redonda. Verificando o cardápio, concluí que o local tenta ao máximo aproveitar a fama, pois os preços são estratosféricos (4,50 euros por um pequeno café e o estabelecimento não aceita nenhum...

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A torre mais famosa do mundo…
jul25

A torre mais famosa do mundo…

É impossível não vê-la… E uma das suas características: em cada local de Paris, ela é diferente. Ao longe, ela é escura e ínfima. De perto, é gigantesca, com a cor cobre resplandecente e, vista do alto de um monumento, cinza, combinando com o céu nublado e as outras construções. O símbolo mais marcante da cidade foi projetado para ser uma obra temporária… Ah, você não sabe da história?!     A Torre Eiffel foi construída por Gustave Eiffel para ser apenas uma instalação em comemoração ao centenário da Revolução Francesa na Exposição Universal de 1889. Dezenas foram contra o projeto, o que quase culminou em sua destruição em 1909. “Esse monte de ferro mancha a vista da cidade…” era um dos argumentos mais frequentes dos franceses conservadores. Provando ser um excelente local para antenas de transmissão de rádio, permaneceu intacta. Possui 324 metros de altura, com restaurantes, lojas e lanchonetes. A partir de 1985, a torre ganhou, durante à noite, uma iluminação amarelo-laranja, graças a 336 projetores e, a partir do final do ano 2000, nos cinco primeiros minutos de cada hora, 20.000 lâmpadas piscam sem parar, resultando em um efeito de “bolhas de champanhe”. A melhor visão da torre é no Trocadéro (localizado no pico da colina de Chaillot). A estação de metrô possui o mesmo nome e há várias placas indicativas mostrando o local para você se deslumbrar com a imagem única! Ao sair, sentei nos degraus do Palais de Chaillot e fiquei observando a paisagem: as belas estátuas douradas brilhando com os raios de sol, a multidão emocionada, disparando suas máquinas fotográficas sem parar, as dezenas de jatos d’água da fonte… Não me importei com o tempo. Naquele momento, o relógio parou e meus pensamentos pararam. Sabe aqueles momentos em que você pensa: “Valeu cada centavo para estar aqui!”. Esse é um deles! Quando cheguei à base, um espanto: as filas para comprar ingresso eram descomunais. Nesse instante, agradeci imensamente a internet, pois comprei o ingresso antecipadamente e poupei 3 horas de espera. Na hora marcada, fui em direção à pequena fila que um atendente me mostrou. Mostrei o bilhete do ingresso para o rapaz e segui em direção ao elevador. Ao iniciar a subida, é impossível não ficar atento aos emaranhados de ferro pelos quais se passa. A velocidade não é alta, um excelente fator para observar a vista que inicia um processo de miniaturização. Se a vista do segundo andar é deslumbrante, no terceiro é magnífica. É algo surreal ver a cidade, com todas as suas ruas e monumentos, naquela altura. É fácil associar a projetos arquitetônicos, com linhas retas, triangulares, vários retângulos,...

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Paris x Mona Lisa
jul17

Paris x Mona Lisa

Uma certeza que posso oferecer: tudo o que você já escutou sobre Paris é verdade… E, ao mesmo tempo, uma mentira! Mesmo sendo uma contradição, a capital da França é a resposta para a pergunta: “Qual a cidade que eu não posso deixar de conhecer?!” Sim, ela é única, como Veneza ou Roma, mas todo o valor que centenas de pessoas, ilustres ou não, agregaram ao nome, transformaram Paris em uma experiência de valor incalculável, assim como um dos seus maiores ícones: a Mona Lisa! Como mencionei a obra, é complemente viável associar as características do quadro de Leonardo da Vinci diretamente com Paris. A fama: a obra iniciou sua fama mundial em 21 de agosto de 1911, quando foi roubada por um funcionário do museu. Dois anos depois, a obra foi encontrada na Itália. O ladrão, Vincenzo Peruggia, acreditava que o quadro deveria voltar para o seu país. Desde então, a pintura foi retratada por diversos artistas e estampada em todo tipo de produto; Jean Monnet, Julio Verne, Pierre-Auguste Renoir, Montesquieu, Picasso, Toulouse Lautrec, Victor Hugo, Piaf, Claude Monet, Gustave Eiffel, Napoleão Bonaparte… Filósofos reconhecidos, artistas de fama incontestável, personalidades imortais, enalteceram Paris como um local sublime. Não há como contestá-los! A dimensão: A Mona Lisa possui 77cm x 53 cm, algo surreal em comparação com a grandiosidade que o mundo oferece à obra. Muitos deixam o Museu do Louvre decepcionados com esse pequeno – sem trocadilho – detalhe; Paris é uma cidade de pequenas dimensões e, com suas fantásticas e eficientes linhas de metrô, você consegue conhecê-la rapidamente, em poucos dias. A aglomeração: Dezenas – e, dependendo do horário, centenas – de pessoas se espremem para ver o quadro. Nenhuma outra obra da sala importa. Em frente à Mona Lisa está exposta a magnífica, e de proporções gigantescas, “As bodas de Caná”, de Paolo Veronese. Uma ou outra pessoa oferece uma pequena e breve atenção a belíssima pintura para rapidamente voltar à Mona Lisa; Os turistas entram em um frenesi desesperador pelos pontos turísticos mais conhecidos e esquecem aqueles locais não mencionados em guias que podem, realmente, converter a viagem em uma experiência inesquecível. Às vezes, é salutar esquecer o óbvio! A beleza: Fato amplamente comentado! A Mona Lisa é feia, ou bonita?! O quadro é uma obra-prima ou um jogo de marketing? Ao vê-la, as suas concepções a julgarão. Ao contemplar a obra, escutei a conversa de dois rapazes: “Muito feia… Não vale o ingresso”. Em contrapartida, uma moça disse ao namorado: “É linda!”; Muita expectativa pode gerar uma grande decepção. Paris é uma cidade lindíssima, mas possui dezenas de problemas ou pontos que podem induzir...

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